O minarete da Mesquita Eski — uma testemunha esquecida da Bizâncio na quarta colina de Istambul
O minarete da Mesquita Eski (em turco: Eski İmaret Camii, «Antiga Mesquita Imaret») é a única igreja do século XI que se conservou em Istambul quase na sua forma original. Por trás da fachada modesta, encravada entre as casas do bairro de Zeyrek, esconde-se o antigo mosteiro de Cristo Pantopto — «O Onividente». Aqui, no início do século XIII, situava-se o quartel-general do último imperador bizantino antes da queda de Constantinopla; mais tarde, albergou a cozinha de sopa (imaret) para a mesquita de Fatih, então em construção; e a partir daqui os monges beneditinos administraram o templo durante a ocupação latina. O minarete da Mesquita Eski continua a ser o monumento menos estudado da arquitetura bizantina medieval da cidade — e é precisamente isso que o torna tão atraente para quem está cansado da agitação turística de Sultanahmet.
História e origem do Minarete da Mesquita Eski
A história da construção remonta à segunda metade do século XI, na época da dinastia dos Comnenos. Pouco antes de 1087, Ana Dalassena, mãe do imperador Alexei I Comneno, fundou no topo da quarta das sete colinas de Constantinopla um convento em nome de Cristo Pantoptes — «O Onividente». Para lá retirou-se no final da vida, seguindo uma antiga tradição imperial. O complexo monástico incluía uma igreja dedicada ao mesmo Cristo Onividente, e foi precisamente esta igreja que sobreviveu até aos nossos dias.
O episódio mais dramático da história da igreja ocorreu a 12 de abril de 1204. Naquela noite, o imperador Alexei V Doukas Mourzoufl instalou o seu quartel-general junto ao mosteiro: do alto da colina, observou como a frota veneziana, sob o comando do doge Enrico Dandolo, se posicionava entre o mosteiro de Evergeta e a igreja de Vlacherna. Após um ataque devastador dos cruzados, o imperador fugiu, abandonando a sua tenda púrpura — e foi nela que Balduíno da Flandres passou a noite da vitória. Na Quarta Crónica de Novgorod, conservou-se o eco deste acontecimento: o cronista russo relata como Murzufl subiu à cúpula de Pantopta para observar a frota inimiga no Corno de Ouro.
Após a pilhagem pelos cruzados, o complexo foi entregue aos monges beneditinos do mosteiro romano de San Giorgio Maggiore e, durante a ocupação latina de 1204–1261, o templo tornou-se uma igreja católica. Após a conquista de Constantinopla pelos otomanos em 1453, o sultão Mehmed II transformou a igreja numa mesquita, e os edifícios do mosteiro — num zav (mosteiro de dervixes), numa madraça e num imaret, que servia a mesquita de Fatih, então em construção. Foi precisamente desta cozinha de sopa que derivou o atual nome turco: «Mesquita do Antigo Imaret».
O complexo ardeu várias vezes e as últimas construções do mosteiro desapareceram há cerca de cem anos. Até 1970, o edifício foi utilizado como escola de estudo do Alcorão, o que, na prática, o fechou à investigação arquitetónica. É precisamente por isso que a Mesquita Eski Minaret ainda hoje é considerada «a igreja bizantina menos estudada de Istambul».
A identificação do edifício com o mosteiro de Pantopta, aceite como verdade durante quase dois séculos, remonta ao patriarca de Constantinopla Constâncio I, que propôs esta versão entre 1830 e 1834. A maioria dos investigadores dos séculos XIX e XX repetiu a sua suposição, sem a verificar. Só em meados do século XX é que Cyril Mango, o maior especialista em topografia bizantina, propôs uma localização alternativa para Pantopota — no terreno da atual mesquita Yavuz Sultan Selim. Os cientistas alemães Asutai-Effenberger e Effenberger apoiaram Mango, reforçando a hipótese de que o Eski Imaret é, na verdade, um templo completamente diferente. Seja como for, o edifício continua a ser uma chave autêntica para a compreensão da era dos Comnenos, mesmo que o seu nome ainda seja objeto de controvérsia.
Arquitetura e o que ver
O edifício está situado numa encosta íngreme, voltada para o Corno de Ouro, e assenta numa plataforma — o telhado de uma antiga cisterna subterrânea, cujo piso serve de piso da igreja. Por todos os lados, a construção é rodeada por casas mais recentes, o que dificulta bastante a sua observação do exterior. No entanto, é precisamente esta sensação de confinamento que confere à igreja um ambiente especial: parece esconder-se no tecido da cidade, à espera de um olhar atento.
A alvenaria com fileira oculta — a mais antiga de Istambul
As paredes são construídas em tijolo e pedra, utilizando a técnica denominada «alvenaria recuada» (recessed brick). As fileiras alternadas de tijolos são recuadas para o interior da parede e preenchidas com uma espessa camada de argamassa — aproximadamente três vezes mais espessa do que as próprias camadas de tijolos. Este é o exemplo mais antigo que se conserva desta técnica em Constantinopla, que se tornou o cartão de visita da arquitetura bizantina medieval e, posteriormente, se difundiu amplamente na Rússia. É precisamente por causa deste detalhe que historiadores de arquitetura de todo o mundo vêm até aqui.
Telhado de tijolo único
Outra raridade: o telhado não é revestido com chapas de chumbo, como na maioria das igrejas e mesquitas de Istambul, mas sim com telhas de tijolo. Durante a reconstrução otomana, o contorno ondulado do telhado foi ocultado por um telhado plano, e a cúpula assumiu uma forma de elmo. A restauração de 1970 devolveu à cúpula o seu contorno festonado original, característico dos templos do período macedónio, e ao telhado de telhas da galeria — as curvas suaves das abóbadas.
Planta em «cruz inscrita» e galeria em forma de U
A planta da igreja pertence ao tipo de «cruz inscrita» (quincôns): a cúpula central assenta em quatro braços, a leste — o altar, a oeste — o esonartex e o exonartex. O nártex exterior, acrescentado posteriormente na época dos Paleólogos, está dividido em três partes: as laterais cobertas por abóbadas cruzadas, a central — por uma pequena cúpula. No lado ocidental, encontra-se uma raridade excepcional — uma galeria em forma de U, contornando o nártex e os dois braços ocidentais. As suas janelas abrem-se tanto para o naos como para o braço da cruz. Muito provavelmente, esta galeria foi construída para uso pessoal da própria imperatriz-mãe Ana Dalassina.
Capelas laterais trilobuladas e vestígios da era otomana
As quatro colunas que outrora sustentavam o espaço sob a cúpula foram substituídas por pilares maciços, e as naves laterais conduzem a pequenas capelas trilobadas — o protésis e o diaconato — que, tal como o altar-mor, se projetam em absides semicirculares. Os otomanos rebocaram as absides e acrescentaram um minarete, que posteriormente foi desmontado. Durante a restauração de 1970, o arquiteto Fikret Çuhadaroglu removeu o minarete danificado sobre o altar e restaurou as formas originais. Os vestígios da segunda renovação «não autorizada» da década de 1990 ainda são visíveis nos detalhes da alvenaria.
Decoração das fachadas
As paredes exteriores estão, em alguns pontos, decoradas com motivos decorativos — raios de sol, meandros, «trançado» em forma de cesto e alvenaria cloisonné. Esta última técnica é característica da arquitetura grega desse período, mas não se encontra em mais nenhum outro local de Constantinopla. Da decoração interior da época dos Comnenos, sobreviveram apenas as molduras de mármore, as cornijas e os batentes das aberturas das portas — nem afrescos, nem mosaicos, nem iconóstase.
Factos interessantes e lendas
- Segundo a tradição, foi precisamente da cúpula do Pantopto que o imperador Alexis V observou o avanço dos cruzados em abril de 1204. O maior bizantinista do século XX, Kirill Mango, subiu pessoalmente à cúpula da Eski Imaret para verificar a lenda — e descobriu que o Corno de Ouro não é visível daqui: é ocultado pela colina vizinha. Foi precisamente esta experiência que pôs em causa a identificação do edifício com o Pantopto.
- Baldão da Flandres, o primeiro imperador latino de Constantinopla, passou a noite da vitória diretamente na tenda púrpura de Murzufl, que tinha fugido, montada junto às muralhas do mosteiro.
- O nome turco «Eski Imaret» — «Cozinha Antiga» — lembra que, logo após 1453, o antigo mosteiro se tornou uma cozinha comunitária para os trabalhadores que construíam a gigantesca mesquita de Fatih. O Imaret alimentava também os pobres da região.
- Desde 1970, o edifício está fechado ao público em geral: foi utilizado ora como escola corânica, ora como objeto de uma restauração interminável. As obras, iniciadas em 2015 com a previsão de inauguração em 2019, foram inesperadamente suspensas e, em 2024, continuam em curso.
- Os investigadores alemães Asutai-Effenberger e Effenberger sugeriram que o edifício pode não ser de todo o Pantopopt, mas sim a igreja de São Constantino, fundada pela imperatriz Teófano no início do século X — tal é a sua semelhança com o mosteiro de Lipsa, contemporâneo deste.
Como chegar
A mesquita fica no bairro de Fatih, no bairro de Zeyrek, a menos de um quilómetro a noroeste da mais famosa Zeyrek Camii (antigo mosteiro do Pantocrator). O ponto de referência para o navegador é a Küçükpazar Caddesi e a rua Küçük Mektep Sokak: é precisamente desta pequena rua que se abre a única vista decente para o templo.
A forma mais conveniente de chegar a partir de Sultanahmet é o elétrico T1 (linha Kabataş — Bağcılar) até à paragem «Laleli-Üniversite» ou «Aksaray», seguindo depois 15–20 minutos a pé subindo a colina. A partir de Eminönü, pode-se chegar a pé em meia hora, passando pelo bairro de Unkapani e pelas ruas do mercado. A partir da mesquita de Fatih — 10 minutos a pé. A partir do aeroporto IST, o mais conveniente é apanhar o metro M11 até «Gayrettepe», depois o M2 até «Vezneciler» e, a partir daí, 15 minutos a pé subindo a colina. A partir do aeroporto SAW — de autocarro Havabus até Kadıköy, de ferry até Eminönü e, a partir daí, a pé ou de táxi (cerca de 10 minutos).
O bairro de Zeyrek é um dos mais pobres dentro das antigas muralhas da cidade, com ruas estreitas e íngremes, com pavimento de calçada. Esteja preparado para uma subida íngreme e um pavimento irregular. Em termos de transportes públicos, nem o elétrico nem o metro chegam diretamente até aqui, pelo que os últimos 800–1200 metros do percurso terão, de qualquer forma, de ser percorridos a pé. Se viajar com crianças ou familiares idosos, o mais sensato é apanhar um táxi (nas aplicações de Istambul BiTaksi ou iTaksi, a viagem a partir de Eminönü custará entre 80 e 120 liras turcas). Mostre ao motorista não o nome da mesquita, mas o endereço «Küçükpazar, Küçük Mektep Sokak» — os taxistas locais conhecem precisamente essa rua.
Dicas para o viajante
O principal a saber antecipadamente: na primavera de 2026, o edifício ainda se encontrava em restauração e o acesso ao interior estava, em regra, fechado. No entanto, vale a pena fazer o percurso até aqui — a observação da fachada, as ruelas vizinhas de Zeyrek e a vista panorâmica do Corno de Ouro a partir dos terraços adjacentes compensam o tempo gasto. Verifique o estado do acesso antes da visita nos fóruns municipais istanbul.com e na secção em turco do site kultur.gov.tr.
A melhor altura é de manhã cedo ou ao fim do dia na primavera (abril–maio) e no outono (setembro–outubro). No verão, o pavimento de mármore aquece e as ruas íngremes à sombra das fachadas transformam-se em corredores abafados. No inverno, é possível que chova e que as pedras fiquem escorregadias: é obrigatório usar calçado com sola antiderrapante. Reserve 45 a 60 minutos para visitar o edifício e os bairros mais próximos; se pretender combinar a visita com a Mesquita de Zeyrek e a Mesquita de Fatih, reserve 3 a 4 horas.
Para os viajantes de língua russa, será interessante recordar que foi precisamente a técnica de alvenaria com fileira oculta, aplicada pela primeira vez em Constantinopla neste local, que mais tarde chegou à Rússia e se refletiu nos templos pré-mongóis de Kiev e Novgorod. Para os admiradores de Mandelstam e Gumilev, Zeirek é uma oportunidade rara de sentir a «outra Constantinopla», aquela que não chegou a tornar-se um cartão postal. Leve consigo água, calçado confortável e uma máquina fotográfica com uma lente de grande abertura: nas ruelas estreitas há pouca luz solar.
Locais próximos para um percurso combinado: Zeirek Camii (património da UNESCO, 800 metros), mesquita de Fatih (1 km), aqueduto de Valente (1,5 km), antiga cisterna de Bonos (estão a decorrer escavações a 200 metros). Se descer até ao Corno de Ouro, em 15 minutos chegará a Halic e poderá apanhar o ferry para Balat — mais um bairro bizantino-otomano cheio de atmosfera. O minarete da Mesquita Eski não é um cartão postal, mas sim um encontro tranquilo com a verdadeira Bizâncio, e é precisamente nesse silêncio que reside o seu principal encanto.